Negação

Eu não sou de nenhum lugar
Eu sou da farsa
Eu sou do ar
Do fim e do tropeço
Oito e oitenta
A minha raiz é flutuante

Não sou quem vai carregar
O peso leve de um laço
O castigo de um abraço
Eu sou só o amante

Desde logo te aviso
Não sou como Lancelote
Que num canto se demora
Sou pessoa que chegou e foi embora

Que eu só vim pra alertar:
Fugir é o mesmo que ficar
No mesmo canto
Não se negue tanto

Poema:
Não

Estou todo tempo me negando
O pelo que tiro
A unha que corto
A pele que troco
As células que mato por invalidez

Nego meu cheiro, minha cor,
Meu sexo, meu calor
Nego até minhas erupções
Nego nesse poema mesmo as minhas negações

Nego-me no outro
Nego o afeto do outro em mim
Na porrada ou na ânsia dum desejo
Nego o sobejo, a nossa essência
Nego o nexo e a paciência
Minha fera com todos se estranha
querendo negar o ser

…Tirei o dedo do nariz
só porque tinha gente olhando.

Jadiel Lima

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s